quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

FIM DE SEMANA

O fim de semana estava sendo péssimo. Nenhuma boa notícia relacionada ao trabalho, tarefas de estudo acumuladas (e que ela não tinha a menor previsão de quando seriam cumpridas), nenhuma ligação, nenhum convite para um encontro de que ela tanto precisava... “É Patricia, você já teve dias melhores!”. Riu consigo mesma, recostando-se no sofá. Era engraçado como as coisas haviam mudado, olhava pra trás e a menininha com ar inocente e olhos assustados parecia tão distante, distante como se na verdade nunca houvesse existido. Dois anos. Cronologicamente era pouco tempo, mas, em acontecimentos vividos, pareciam vinte anos. Não reclamava de nada, era bom estar sozinha, fora isso que sempre desejara, a liberdade, mesmo que essa lhe custasse o desapego àquelas instituições e valores de que sempre fora adversa, mas dos quais era parte. Parte por parte, preferiu a partida, a tranquilidade de sua solidão, a alforria de poder despir-se da obrigação, o abandono da dissimulação em moça recatada... Agora vivia para si, trabalhava para si, estudava para crescer e fazia o que a agradava, escolhia os seus pares, convivia com quem queria e, entre mentes inquietas, discussões acaloradas, filosofias e apreciações de arte, amava alguns homens e escolhia quem queria ter, quando lhe fosse oportuno.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Das combinações

Brigava com as idéias quando ele chegou. Dia de Natal, "grande porcaria" era o que eu sinceramente pensava daquele circo armado de brilhos e comerciais. Mais largada do que nunca, foi assim que me encontrou, depois aquele abraço suado, o acolhimento, o aconchego a que só me permitia nos braços de poucos. Naquele momento só me desvencilharia daquela página se fosse por um motivo realmente bom, ele o era!
A voz dele era calma, a minha transmitia inquietação, os gestos dele eram calmos, comedidos, enquanto que os meus pareciam querer atingir o inatingível, mais diferenças do que semelhanças.
"Talvez só você mesmo para salvar meu dia."
Sua resposta foi uma gargalhada gostosa, de quem sabia que eu não queria ser salva. A vontade era de me perder, cada vez mais...
- Dias quentes pedem cerveja, mas como você quer tanto escrever, o mais inspirador e mais adequado ao dia de hoje seria um vinho.
- Nem cerveja nem vinho, não com o "velho" em casa, o máximo que posso lhe oferecer é uma coca-cola!
-Bom.. Isso é triste, mas eu aceito.
A conversa era agradável mesmo no abafado daquela tarde, precisava mesmo rir, talvez ele nem tivesse interesse nas minhas loucuras, nos meus escritos, nos meus conflitos nem nas minhas promessas de maior lucidez em 2010, mas se assim o fosse, uma coisa era certa: ele fingia muito bem.
Não era no mestrado, nas minhas leituras ou na minha situação profissional que residia a graça daquilo tudo, preferia (preferíamos) as confidências, o meu descabelamento que era "fascinante" segundo ele, o nosso suposto caso levantado pelos "amigos", o forró que ele dizia não saber mais dançar, as letras
"foda" do Zé Ramalho... Provando por "A + B" entre os meus, os seus (os nossos) risos de descompromisso que coca-cola não combina com discussões sisudas e filosóficas.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Depois


Jogou-se na cama, agarrou o travesseiro, sentia-se ao mesmo tempo culpada e aliviada, não queria tê-lo magoado, mas ao mesmo tempo quis, tanto que esperava ter conseguido... (coisas de orgulho ferido, a vingança é mesmo um prato doce) sorriu, tinha aquele sorriso que oscilava entre o anjo e o demônio, "diaba", era assim que um dos seus a chamava... A noite estava quente, clima abafado, era Natal em Natal, onde estaria a neve?

domingo, 6 de dezembro de 2009

Reativando...



Msn, Orkut, Sonico, Skype, Mural dos Escritores, Twitter, Blogger, Skoob, Formspring...




Mil vezes me recrimino, mas sempre acabo voltando para eles. São os males da modernidade, ferramentas que roubam nosso tempo, mas sem as quais não vivemos.


sábado, 31 de outubro de 2009

Existem dias

Existem dias em que o lirismo está à flor da pele, e a sua necessidade de escrever ultrapassa qualquer parâmetro de autocrítica e de censura. É nesses dias que você se diz louca, não entende o que fala, o que sente e muito menos o por quê daquilo. Um misto de dúvida, apego e encantamento que são um brinde à sensibilidade...


"Ah, se eu fosse poeta!"

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

"Escrevo POR ele e não para ELE,
será que é tão difícil assim entender?"


Olhou-a nos olhos e ela então compreendeu o sentido da frase que tantas vezes ouvira: "os olhos são a janela da alma". Não precisava de muito, espantava-a a constatação de que nenhum dos que amou (ou pensou ter amado) lhe tocasse tanto, a ponto de arrancar-lhe sorrisos fáceis e encantá-la com um jeito nada pretensioso, "conheça os outros e permita que te conheçam" eis a chave de tudo, eis o conselho (quase que promessa) que lhe dera e que buscava cumprir ali. Entre olhares, perfumes, sorrisos e lábios surge o silêncio, o mesmo que guarda seus desejos e com o qual ela se depara num abrupto despertar...

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

04/10/2009

[...]

- Você é louca!
- Sou nada... por quê diz isso?

- Você parece não ter medo de nada!

- Boba! Tenho sim, tenho medo de muitas coisas: da solidão, do desprezo, de me frustrar como pessoa e como profissional.. Mas isso não deve nos impedir de voar cada vez mais alto... [abrindo os braços]

[risos]

- Entendi... E quando crescer eu quero ser igual a você!
- Louca também?

[mais risos]

- Se isso é ser louca, que eu seja mais uma então...


DO ÍNTIMO

"[...]pois sabia que tentar afastar-se dele
era tão inútil quanto tentar
afastar-se de si mesma ao escrever..."



E na nova forma de pensar, de sentir, de representar o mundo, nessas tentativas ela se descobria, se indignava e se indagava sobre o porquê de tudo aquilo. Não, não queria mais respostas nem faria mais afirmações ou declarações de nada, se é verdade que os poetas amam pelo silêncio, ela amava pela inquietude, pela profusão de idéias que tentava domar e passar para o papel. Há muito se dera conta de que escrever lhe era tão necessário quanto respirar, mesmo que este ato jamais contemplasse a grandeza de seus sonhos. Era uma luta com certeza vã, pois é certo que a intensidade de seus sentimentos e a loucura de seus desejos eram impossíveis de se traduzir.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

IMPERADOR



"Foi de repente, quando abriu os olhos percebeu que ele já era essencial, só sabia dizer onde começou, o resto foi surgindo com a(s) (con)vivência(s)..."



terça-feira, 29 de setembro de 2009

Anotação para um diário hipotético



"A surpresa fora total, ELE não era nada do que ELA esperava, aliás, ela nem sequer esperava..."


segunda-feira, 28 de setembro de 2009

DA ÍRIS DE UM ANJO

Eu deveria estar corrigindo redações, analisando jornais ou escrevendo relatórios, mas meu pensamento está longe... mesmo contra minha vontade a atenção se desvia do papel para onde eu queria estar, mas não posso, para onde o meu coração alcança, mas não os meus olhos.
Inquieta, levanto-me e caminho até a janela, ouço o alarido das salas de aula vizinhas, enquanto o vento que vem brincar em meus cabelos arranca-me um sorriso. Contemplo o céu em sua imensidão azul, azul tão intenso quanto a íris dos olhos de um anjo...

"Se eu soubesse fazer versos
e dominasse a arisca métrica,
comporia por você
minhas mais ternas
canções."

sábado, 19 de setembro de 2009

MULTIFACES

Um gênero multifacetado. Definição breve, objetiva, mas com um caráter tão abrangente que, muitas vezes, deixa-nos, leitores de ensaios e ensaístas amadores, cheios de receio e apreensão.
O termo ensaio, em sua raiz etimológica, já nos fornece indícios de suas peculiaridades. Em meus primeiros contatos com a palavra em si, associei o gênero à própria idéia do “tentar”, fazer seu discurso sobre algo no momento, literalmente ensaiar. Neste ponto, encontra-se um dos grandes atrativos para a leitura de ensaios: a liberdade com a qual o assunto é tratado, deixando aflorar toda a pessoalidade do autor em breves (ou nem tanto) linhas.

Certa vez ouvi, em uma exposição sobre o ensaio, que alguém definiu o gênero como um texto no qual o escritor se mostra. Parte desse pressuposto o meu interesse: conhecer o pensamento daqueles ensaístas, ver como eles discutiam assuntos que permanecem tão atuais, bem como poder contrastar essas opiniões com as que temos hoje acerca do mesmo tema e que, não raramente, apresentam pontos de igualdade.

Ontem estava eu no ônibus voltando para casa, e aproveitei para folhear Os Ensaios de Montaigne, quando o cobrador aproximou-se de mim e perguntou: - “Isso é Filosofia?” Respondi: - ”Um pouco...” Ele então insistiu no diálogo: - “E fala sobre o quê?” Mais uma vez minha resposta saiu um pouco evasiva: “São ensaios, falam sobre a vida, os acontecimentos da vida e como um homem se posiciona diante deles.” Ao meu interlocutor creio que essa resposta deve ter soado muito evasiva, na verdade tive a sensação de que a pergunta do cobrador talvez não tenha recebido a exatidão esperada na resposta... Mas o que eu poderia dizer? Repetir que é um gênero híbrido e multifacetado e que por isso mesmo de difícil definição? Não creio que bastasse.
Parece-me que na vida nenhuma definição é suficiente.

E isso me traz à memória o dia em que duas garotas iniciantes do curso de Letras foram pedir orientação a uma professora sobre como deveriam fazer um ensaio que lhes fora solicitado. Prontamente, receberam uma resposta que não ajudou muito: “Ah! O ensaio é um texto que você faz com o coração... Claro que não foi suficiente, ao contrário, essa (in)definição povoou ainda mais as nossas cabeças com dúvidas que trazemos até hoje na metade do curso.No entanto, não procuro mais respostas a essas dúvidas, mas as tenho como o estímulo para quem busca sentir o ensaio e se atreve a mostrar, nessas poucas linhas, um pouco de si.

domingo, 9 de agosto de 2009

SOPRANDO VELINHAS

Hoje é um dia muito especial, e não estou dizendo isso por ser Dia dos Pais, mas porque hoje este blog faz 01 ano de existência! Tanto a idéia de começar este espaço quanto o próprio título surgiram-me de forma espontânea, sem grandes ambições, eu queria apenas um lugar onde pudesse publicar meus textos, marcados por planos, sonhos e ideais pessoais. Olhando um pouco para trás, vejo que foram poucos textos publicados, mas encho-me de orgulho a cada releitura, como mãe coruja que sou. Este blog me acompanhou em diversos momentos de minha vida, como no meu amadurecimento acadêmico e intelectual e nas decepções amorosas, pois os longos períodos de aparente inatividade traduziam o momento reflexivo por que passava a minha pessoa.
Contatos interessantes, ótimas leituras e críticas mais que construtivas foram algumas das recompensas que recebi e que me despertaram a necessidade de não deixar o blog "morrer" e, mais que isso, de ousar fazer algo novo, de ampliar o projeto e estender nosso olhar para novos horizontes. Mais diversidade e mais colaboração são alguns dos objetivos a alcançar nesse segundo ano, bem como a busca por mais impessoalidade nos temas e nas postagens. Os convites estão sendo feitos, resta esperar que o desafio seja aceito e que o sucesso se faça presente nesta nova empreitada!

Boa noite

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Qual é o preço que pago por ser eu mesma?

"E se me achar esquisita, respeite também.
Até eu fui obrigada a me aceitar."

(Clarice Lispector)

domingo, 5 de julho de 2009

2.0 - Alegria, Twitter novo e felicidades mil pra mim!

Aniversário

A Aline, 05 de julho de 2009


Nunca completei anos nem idade.
Completar anos é ter Aniversário...
O que eu tive mesmo, é verdade,
Um dragão horrendo e salafrário.

1989. O Mundo comemora o fim.
Nunca esqueço do que não lembrei.
Eu vivi a maravilha, eu vivi assim:
Olhando os viadutos... Eu era Rei.

A cidade festejava o grande feito
De uma política, eu sentia ânsia.
A ópera lenta, grave, sem defeito,
Vinha a mim, sonora, à distância.

Hippies fumando, o dia dos anos,
Meu aniversário em mim sozinho.
Cavaleiros medievais, soberanos,
Bailavam... Fantástico, o tristinho...

“Mocidade quente, o calor domina.”
Falam do velho mundo, do velho,
Velho tal uma lembrança pequenina
Duma dama que se vê no espelho...

A Europa era só pó, as alianças!
Tudo nos livros – em um museu –
Milhões de mortes e esperanças
Colocadas dentro dum Mausoléu.

Só um Aniversário! Grande muro!
Oh, meu Futuro ainda é Escuro,
A Guerra ainda é futuro, ó Vida,
Completar Anos é uma Ferida!...

Uma chance para o vento... Uma...
Napoleão Bonaparte, o seu Chapéu,
Agora é, sem desgraça nenhuma,
Uma alegre brincadeira de Papel!

“Corta o bolo, filho, um pedaço!”
Tirei uma foto no meio da floresta...
Meditei entre as estruturas de aço,
Será que só a lembrança me resta?

(Arco-íris multicor, transa animal,
Borboletas cruzando são tão belas!
Uma Roda Gigante Descomunal
Em cima de um Leito de Estrelas!)

O meu Passado foi condecorado
Com o Selo Imperial Português!
Quem irá entrar nele, descorado,
Esperando ser chefe, o Burguês?!

Eu tinha quando chegavam os dias...
Necessidade de estar bem sozinho.
Dias que eu era um Amarelo Linho,
Água cultivada em cabaças vazias...

“Comprarei o meu clipe colorido!...”
O pimpão destrambelhado, eu era.
Maior do que eu, erguia-se sofrido
O Quixote a lutar contra a quimera!

Faltava um dia somente pra o dia!
Um bolo na mesa já era o bastante...
Eu comia alegre como um viajante,
Eu sabia que ali havia mais poesia.

Tardinha no fundo do meu coração...
Põe-se a História dentro de mim,
Lá no fundo de um Velho Porão
Havia uma alma que rogava assim:

“Sonha criança, o teu sonho é guia!
Em cima de um muro, ergue a espada,
Velha e de madeira – sem elegia –
Fura o peito Heróico do teu Nada!”

Já completei anos. A vida balança
O que eu não se dizer... Era criança,
Era um sonho, verdejante estrada,
Um Romeu feliz com a sua amada...

Correm as meninas e os meninos,
Vultos que não sei se é o Vento...
Ah, aniversário! Repicam os sinos,
Vibração inconstante, sentimento!

Desejei somente a paz da solidão,
Sem tremer de chão, sem a morte...
Pratos na África – para população –
Talvez fossem um golpe da Sorte...

E embrulho os presentes que tive
Somente em meus Sonhos vãos.
A Vida soube me dar, inclusive,
Uma Casa de Lã, sem os vãos.

A hora de apagar a branca vela
Equivalia a apagar uma estrela...
O movimento do sopro invisível
Acenderia o Tempo, o infalível...

Eu completo anos dessa maneira.
A Vida que, descendo a Ladeira,
Esquecera-se d’outro lado, oposto,
O lado em que subimos sem rosto.


Felipe Garcia

ps. Sim, hoje é meu aniversário e mesmo sem gostar de confetes estou muito feliz, muita coisa boa, muitas novidades em minha vida e principalmente a chegada das tão merecidas férias! Ah, havia feito um twitter mas não tinha me dado muito bem, tanto que acabei esquecendo a senha e não consegui recuperar! Mas hoje resolvi fazer outro, ou seja, inclui mais um item na minha lista de vícios! Se alguem quiser dar uma olhadinha ou até me seguir (o que acho muito difícil) meu endereço é esse:

http://twitter.com/Aline_Patricia

Boa Semana para todos nós!

domingo, 28 de junho de 2009

Aniversário

Abraços, parabéns, presentes, discurso do amigo bêbado pendurado em seu pescoço e demonstrações de afeto vindas de pessoas que ele jamais imaginara... Por livre e espontânea pressão, o aniversariante é forçado a proferir algumas poucas palavras em agradecimento, ainda envergonhado: "Eu só tenho a agradecer pela consideração que todos mostraram ter por mim..." enfim, todos os confetes de praxe.

-E você Aline, onde estava nisso tudo?
-Eu? Estava lá no meu canto, só observando tudo..
.-Mas que criaturazinha antisocial, nem das festas de família toma parte!
-Não é questão de participar, brinco sim, mas quem tiver seus confetes que não jogue pra cima de mim...
-Confetes? Contou que tinha muita gente lá, muita gente se mobilizou, festa cheia pra mim é sinal de que a pessoa é querida. E você, o que me diz?
-Lhe digo: enche o meu copo e brindemos.
-Brinde a quê?
-Aos nossos amigos... Aos verdadeiros e aos falsos também, e que Deus nos proteja de todos!

sábado, 20 de junho de 2009

Afinal, a final do SOLETRANDO

Soletrar é uma tradição tipicamente americana, e por ser baseada na tão combatida "decoreba", sempre fui contra o quadro do programa do Luciano Huck. Não sei se já disse aqui, mas graças a Deus me livrei do vício em televisão, hoje prefiro ocupár meu tempo lendo, escrevendo, enfim,fazendo qualquer coisa mais últil ou até simplesmente dormindo, no que ainda ganho mais. Hoje minha irmã me falou que seria a final do SOLETRANDO, como não tinha nada para fazer (mentira, ter até tinha, mas eu não queria fazer), resolvi assistir para ver no que ia dar. Passo aqui algumas das impressões que tive no breve tempo em que dediquei minha atenção à atração global:

  • O apresentador não conseguia ser nenhum pouco imparcial, estava clara a torcida dele para o participante do Rio de Janeiro e, quando este saiu, para o participante do Ceará.

  • O computador que estava selecionando as palavras parecia até que sabia distinguir os participantes, pois sempre eram mais fáceis para a mocinha.

  • A musiquinha de fundo é uma verdadeira tortura, pra matar quem está num momento decisivo para o seu futuro.

  • A Sandy como professora ou sei-lá-o-quê que ela faz ali é uma ótima cantora pop, sem falar que a vozinha dela me dá nos nervos.

  • Algumas palavras eram tão absurdamente fáceis que o professor até riu, como no caso de "xerife" (com uma palavra dessa numa final até eu riria)

  • A mocinha parecia saída de uma intervenção plástica mal-feita, deve ter ficado com os músculos do rosto doendo de tanto forçar um sorriso.

  • A referida aluna era de uma escola militar, talvez isso justifique sua frieza, enquanto todos estavam quase tendo um enfarto ela mantinha o sorriso amarelo, e não chorou nem quando ganhou ( pra mim não foi merecedora, vale ressaltar).

  • Por fim, gostaria de saber qual lei da física explica o fato de que nessas competições em geral os que menos merecem, que tem melhor condição financeira sempre vencem? A mocinha do colégio militar, filha de funcionária pública e engenheiro (o que por aqui chamamos de uma verdadeira "Patty fina"), tinha muito mais condições de ter uma boa formação mesmo se não ganhasse o prêmio, já os menino, um vindo da favela da Rocinha no RJ e outro da pequena cidade de Viçosa no interior do Ceará choraram por ter perdido ali uma chance real de garantir seu futuro e ajudar sua família. Choro compreensível e compreendido por todos.

  • A mocinha perguntou se poderia doar 5 mil reais de seu prêmio para cada um dos concorrentes, o que foi visto como um gesto de nobreza. Ficou-me apenas uma pergunta: ela quis posar de generosa ou realmente lhe pesou na consciência o fato deles precisarem mais do prêmio?

ps. Não entendo muito de televisão, mas sei que é isso que dá IBOPE, comoção, exposição do choro alheio, exploração dos problemas das pessoas disfarçada em boas intenções. Quanto ao quadro carinhosamente apelidado de ÇOLETRÃNO, posso dizer que de Língua Portuguesa eu entendo (um pouco), e com certeza esse método não é nem de longe eficiente para alfabetizar, e o fato de saber as letrinhas não é prova de inteligência excepcional ou de grande domínio de competências linguísticas, uma vez que estas demonstram-se nas situações diarías de uso da língua.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Blogs e "blogs" - importando, observando e aprendendo

Estava cá pensando com meus botões sobre os blogs, esta ferramenta tão útil e acessível, que possibilita que qualquer pessoa possa ter sua página e publicar suas idéias na grande rede. Tenho pensando muito sobre o futuro desse canto, talvez em breve meus leitores tenham uma surpresa...
Pesquisando, fuçando, comentando em meus passeios pela blogosfera pude perceber a infinidade de temáticas, abordagens e usos que pode-se fazer de uma simples página como esta. Encontrei a figura acima em uma postagem do blog das GAROTAS QUE DIZEM NI (infelizmente aposentado atualmente), sempre que possível passo por lá pra matar a saudade, me divertir e também me inspirar, pois prezo muito pela construção de um estilo próprio de escrita. Em minhas andanças descobri que um texto como o da figura não é apenas uma sátira, mas uma realidade, neste ponto, surgem os adeptos da opinião clichê "maldita inclusão digital", mas eu ainda sou um daqueles que acredita que "o sol nasceu para todos"... Não nego que dei e dou boas risadas com o texto (longe de mim tal hipocrisia!, mas como amante e amadora da arte de escrever e principalmente como professora sei que, devido ao seu caráter também social,qualquer experiência em escrita é válida e só tem a acrescentar no desenvolvimento comunicativo de um sujeito. A sabedoria popular que tanto evoco aqui sintetiza muito bem toda a essência do problema em um ditado já batido, mas inegavelmente correto: É ERRANDO QUE SE APRENDE!

terça-feira, 16 de junho de 2009

Quem desdenha...

Ora vejam só como são as coisas: a pessoa está ocupadíssima, finalmente encerrando mais um semestre da facul, praticamente nas últimas, ansiosa por ter que fazer recuperação de Sintaxe I, planejando antecipadamente algumas viagens, além das preocupações habituais de casa, então aparece um cidadão que mal lhe dirige a palavra, metendo-se a entendedor e crítico de blogs, e diz: "depois que você retomou o blog, tenho observado que as postagens estão diferentes, falta profundidade e blá bla blá..."
Eu não mereço tanto!
Fulaninho que eu nem sabia que visitava esta humilde página resolveu dar pitaco sobre o que escrevo, sendo que em nenhuma oportunidade comentou nem um "Oi" em tantos textos que já escrevi aqui! Esclarecendo: este é um blog pessoal, escrevo por que gosto e escrevo o que gosto, meus leitores e os desavisados que por aqui passam tem todo o direito de gostar ou não do que leem, e da mesma forma como respeito a opinião de todos espero que a minha seja respeitada! Não estou pedindo demais, nem pense que sua opinião é deveras importante para mim, pois sinceramente nem é. A vida acadêmica já é chata e cheia de análises profundas e cansativas, me reservo o direito de escrever sobre as coisas simples, humanas, sem sentimentalismo piegas ou cientificismo, apenas revelando um pouco da minha visão sobre esse mundo louco. Errôneo e tosco é usar SUA afinidade com o autor como critério para analisar determinada produção. Não gosta de mim, não respeita minha opinião nem quer realmente conhecer minhas idéias? Então nem perca seu precioso tempo nestas "inúteis" leituras. Como diz o velho ditado: "Quem desdenha quer comprar", pois desde Esopo sabemos que para quem não consegue atingir certo patamar "as uvas SEMPRE estão verdes."

segunda-feira, 15 de junho de 2009

De passagem

Depois de uma longa conversa/debate no msn ontem à noite, aproveito esse tempinho livre postar um poema que gosto muito, e que serve para ilustrar bem a realidade dos sentimentos humanos. Li este poema do Menotti Del Picchia pela primeira vez quando ainda estava no Ensino Fundamental (8ª série, se não me falha a memória) e fiquei encantada e ao mesmo tempo decepcionada com a crueza desta representação do tão famigerado "Amor". Juninho, meu amigo mais amoroso e iludido, esse post é em réplica ao seu sentimentalismo.

"Amor?
Receios, desejos,
promessas de paraísos,
depois sonhos, depois risos,
depois beijos!

Depois...
E depois, amada?
Depois dores sem remédio,
depois pranto, depois tédio,
depois... nada!"


Bom Dia!

sábado, 13 de junho de 2009

RENASCIMENTO

"Odeio isso." "Simplesmente odeio isso", era o que eu estava pensando cá comigo na frente do pc, antes de resolver deixar de preguiça e parar de adiar este momento tão importante... Hora de tirar a poeira da minha casinha! Foram tantos dias, aliás, tantos meses, que não sei nem por onde começar a organizar a bagunça! Enfim, apesar do adiantado do horário me bateu esse "cinco minutos" e cá estou eu. Pensei sinceramente em excluir o blog (mais uma vez), mas cheguei à conclusão de que me arrependeria, e muito, se o fizesse. Falei, falei e acabei não explicando que o que eu disse odiar no início do post: odeio quando as tarefas e os problemas do dia-a-dia acabam por nos afastar daquilo que gostamos. Percebi que foi isso que aconteceu comigo, não só em relação ao blog, mas também com as pessoas e pequenas coisas que sempre me fizeram bem... Como nunca é tarde pra recomeçar ESTOU DE VOLTA, apesar dos problemas e das tristezas que tanto me afligiram e a despeito dos que queriam me ver por baixo: ESTOU DE VOLTA! Cheia de vontade e, o mais importante: cheia de assunto.

Boa noite

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Cotidiano

Tinha tudo pra ser um dia normal. Tal dia, marcava o aniversário de uma amiga. A festividade ocorreria mais tarde.
O dia amanheceu ensolarado. Logo, ele levantara da cama, espreguiçando-se enquanto gotas de suor escorriam pelo seu peito, confirmando que o verão estava mais destemido do que nunca.
Então, levantou-se a caminho do lavabo, enxaguou o rosto inchado, e foi aprontar seu café.
Alimentou-se assistindo seus programas matinais, sem saber que o dia que tinha pela frente poderia ser (e seria) muito marcante.
Seu pensamento girava somente em torno de um reles jogo de futebol aos fins de semana, que sempre era esperado ansiosamente.
Quando a grande hora finalmente chega, ele assiste ao seu jogo, roendo até a carne que cobre os ossos de seus dedos. O nervosismo com o tempo se transforma em um ápice de alegria, pois seu time finalmente conquistara uma bela vitória!
Em seguida vai se banhar, sem ainda ter em mente o que lhe esperava por vir. Pronto para a comemoração do aniversário, ele chega ao local e inesperadamente defronta-se com um grupo de estranhos, aguardando para entrar em uma festa nada familiar.
Timidamente, espera a aniversariante chegar. Finalmente a aniversariante chega. Ela vem acompanhada. E então ele enxerga a moça mais bela que seus olhos já avistaram.
Teria sido o destino que marcou aquele dia de verão e cruzou dois caminhos solitários? A noite vinha chegando tímida e o ainda não formado “par”, se descobrindo aos poucos.
Eis que surge um doce beijo. Trocam os telefones e partem, sem saber seus destinos...

Por: Matheus
Creditos: Aline


ps. Abrindo um parêntese primeiramente para dizer que agradeço, mas os créditos são todos do próprio autor!

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

O eterno instante de uma ilusão perdida


-Tchau.
Ele desligou.
Inconscientemente a moça recolhe o telefone junto ao peito, como se o gesto acalentasse o misto de angústia e decepção que dominam o seu espírito: “Eu não acredito. Tem que ser muito cara-de-pau para fazer uma proposta dessas. Ah, como ele pôde! Decerto não percebe o quanto isso me ofende... ou será que percebe? Quantas vezes eu disse que faria tudo para ficar ao seu lado, como sempre estive esse tempo todo, mas isso já é demais! Não, eu não posso admitir esse tratamento, é isso que ele quer que eu seja, uma AMANTE, como se despreza assim tanta dedicação? Eu mereço mais, muito mais, não me conformarei com migalhas de amor! Meu Deus, como é possível que uma pessoa mude tanto assim? E eu que pensava que ele era diferente dos outros homens, pelo menos foi o que ele demonstrou até agora, será que me enganou todo esses tempo? Tantas palavras, tantas juras, e o olhar... ah, quantas será que ele já não deve ter iludido com aquele olhar! Preciso tomar algo. Cerveja?... Não, não é horário, talvez mais tarde eu saia, quem sabe deixar a doideira bater me faça esquecer, pelo menos um pouco... Vou tomar café.”
A moça prepara seu café maquinalmente, absorta em seus pensamentos: “Não, não, eu não posso admitir isso, e minha dignidade, onde é que fica? Tenho mais é que dar um basta, ele que se divirta com o seu brinquedinho novo! Mas eu o amo tanto, por que será que ele parece insensível aos meus apelos? O amor acabou? Ou será que ele nunca existiu? Quem sabe se ele não fosse tão arredio eu conseguiria o convencer de que sou a única que o amou, pois nenhuma outra jamais fará os sacrifícios que eu fiz! Burra. Como eu sou burra! A quem eu estou querendo enganar afinal? Apenas a mim mesma... Eu o quero, Não quero o perder. Por que é que a porra do amor tem que doer tanto? Será que não dói neles também? O café é solúvel. Os homens, volúveis... Ah, a solução! Bem que poderiam vender em frascos igual ao café. Lembra aquela música.
A fórmula do amor
... do desamor?
Eu ficaria rica. Finalmente um alívio para tantas pobres mulheres que sofrem assim como eu. Que loucura! Já levou minha alegria, será que agora vai levar também minha sanidade? Preciso dar um jeito nessa bagunça.”
A moça arruma as coisas rapidamente e parte para a pia, lavar o copo: “Nem sei o que dizer, nem sei o que faço, como fico, será que vale a pena um esforço? Nem sei mais se é amor ou ódio, tanta coisa, tanta coisa... Como são mesmo aqueles versos famosos que viraram música...?”
Sem perceber seus dedos passam a apertar o vidro cada vez mais forte:
“A boca que me beija é a mão que me apedreja...”
Um forte estalo a acorda de sua letargia, o sangue escorre da mão que ainda segura restos do que outrora fora um copo, e respinga nos cacos que cintilam no interior da pia.
Enfim sua dor terebrante se exteriorizara.