sábado, 20 de junho de 2009

Afinal, a final do SOLETRANDO

Soletrar é uma tradição tipicamente americana, e por ser baseada na tão combatida "decoreba", sempre fui contra o quadro do programa do Luciano Huck. Não sei se já disse aqui, mas graças a Deus me livrei do vício em televisão, hoje prefiro ocupár meu tempo lendo, escrevendo, enfim,fazendo qualquer coisa mais últil ou até simplesmente dormindo, no que ainda ganho mais. Hoje minha irmã me falou que seria a final do SOLETRANDO, como não tinha nada para fazer (mentira, ter até tinha, mas eu não queria fazer), resolvi assistir para ver no que ia dar. Passo aqui algumas das impressões que tive no breve tempo em que dediquei minha atenção à atração global:

  • O apresentador não conseguia ser nenhum pouco imparcial, estava clara a torcida dele para o participante do Rio de Janeiro e, quando este saiu, para o participante do Ceará.

  • O computador que estava selecionando as palavras parecia até que sabia distinguir os participantes, pois sempre eram mais fáceis para a mocinha.

  • A musiquinha de fundo é uma verdadeira tortura, pra matar quem está num momento decisivo para o seu futuro.

  • A Sandy como professora ou sei-lá-o-quê que ela faz ali é uma ótima cantora pop, sem falar que a vozinha dela me dá nos nervos.

  • Algumas palavras eram tão absurdamente fáceis que o professor até riu, como no caso de "xerife" (com uma palavra dessa numa final até eu riria)

  • A mocinha parecia saída de uma intervenção plástica mal-feita, deve ter ficado com os músculos do rosto doendo de tanto forçar um sorriso.

  • A referida aluna era de uma escola militar, talvez isso justifique sua frieza, enquanto todos estavam quase tendo um enfarto ela mantinha o sorriso amarelo, e não chorou nem quando ganhou ( pra mim não foi merecedora, vale ressaltar).

  • Por fim, gostaria de saber qual lei da física explica o fato de que nessas competições em geral os que menos merecem, que tem melhor condição financeira sempre vencem? A mocinha do colégio militar, filha de funcionária pública e engenheiro (o que por aqui chamamos de uma verdadeira "Patty fina"), tinha muito mais condições de ter uma boa formação mesmo se não ganhasse o prêmio, já os menino, um vindo da favela da Rocinha no RJ e outro da pequena cidade de Viçosa no interior do Ceará choraram por ter perdido ali uma chance real de garantir seu futuro e ajudar sua família. Choro compreensível e compreendido por todos.

  • A mocinha perguntou se poderia doar 5 mil reais de seu prêmio para cada um dos concorrentes, o que foi visto como um gesto de nobreza. Ficou-me apenas uma pergunta: ela quis posar de generosa ou realmente lhe pesou na consciência o fato deles precisarem mais do prêmio?

ps. Não entendo muito de televisão, mas sei que é isso que dá IBOPE, comoção, exposição do choro alheio, exploração dos problemas das pessoas disfarçada em boas intenções. Quanto ao quadro carinhosamente apelidado de ÇOLETRÃNO, posso dizer que de Língua Portuguesa eu entendo (um pouco), e com certeza esse método não é nem de longe eficiente para alfabetizar, e o fato de saber as letrinhas não é prova de inteligência excepcional ou de grande domínio de competências linguísticas, uma vez que estas demonstram-se nas situações diarías de uso da língua.

4 comentários:

Louize disse...

É, Aline, pra minha frustração, também resolvi assistir à final do "Soletrando", e, concordando contigo, reafirmo as negativas conclusões a que cheguei vendo o quadro. Ao contrário do que pensam as pessoas, soletrar não torna nenhum cidadão letrado. Para a educação pública, de fato, progredir, é preciso muito mais do que um concurso que tenha como premiação uma quantia em dinheiro. Sinceramente, se essa fosse uma condição para uma modificação da educação pública, essa permaneceria estanque por muito, muito tempo mesmo!

Tiago Cervo disse...

Esse programa é uma besterada dos diabos... pura cópia, afinal são poucos os programas tupiniquins que são realmente bons...

Grande abraço

T.aaaatý disse...

Ai eu não consegui assistir inteiro. Contudo percebi também a necessidade do menino Bruno, morrador da favela da Rocinha no Rio. Nossa, nem sabia que a menina havia doado R$ 5.000.00 para cada um dos participantes. Que bom, pelo menos ela soube reconhecer a necessidade de cada um. Seu blog está ótimo, parabêns. Espero voltar mais vezes! *

Jr disse...

Oo eu gosto do soletrano ^^
vc que é toda do contra, não gosta de nada, parece alguem que eu conheço!
beijo