sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Das combinações

Brigava com as idéias quando ele chegou. Dia de Natal, "grande porcaria" era o que eu sinceramente pensava daquele circo armado de brilhos e comerciais. Mais largada do que nunca, foi assim que me encontrou, depois aquele abraço suado, o acolhimento, o aconchego a que só me permitia nos braços de poucos. Naquele momento só me desvencilharia daquela página se fosse por um motivo realmente bom, ele o era!
A voz dele era calma, a minha transmitia inquietação, os gestos dele eram calmos, comedidos, enquanto que os meus pareciam querer atingir o inatingível, mais diferenças do que semelhanças.
"Talvez só você mesmo para salvar meu dia."
Sua resposta foi uma gargalhada gostosa, de quem sabia que eu não queria ser salva. A vontade era de me perder, cada vez mais...
- Dias quentes pedem cerveja, mas como você quer tanto escrever, o mais inspirador e mais adequado ao dia de hoje seria um vinho.
- Nem cerveja nem vinho, não com o "velho" em casa, o máximo que posso lhe oferecer é uma coca-cola!
-Bom.. Isso é triste, mas eu aceito.
A conversa era agradável mesmo no abafado daquela tarde, precisava mesmo rir, talvez ele nem tivesse interesse nas minhas loucuras, nos meus escritos, nos meus conflitos nem nas minhas promessas de maior lucidez em 2010, mas se assim o fosse, uma coisa era certa: ele fingia muito bem.
Não era no mestrado, nas minhas leituras ou na minha situação profissional que residia a graça daquilo tudo, preferia (preferíamos) as confidências, o meu descabelamento que era "fascinante" segundo ele, o nosso suposto caso levantado pelos "amigos", o forró que ele dizia não saber mais dançar, as letras
"foda" do Zé Ramalho... Provando por "A + B" entre os meus, os seus (os nossos) risos de descompromisso que coca-cola não combina com discussões sisudas e filosóficas.

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