quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

FIM DE SEMANA

O fim de semana estava sendo péssimo. Nenhuma boa notícia relacionada ao trabalho, tarefas de estudo acumuladas (e que ela não tinha a menor previsão de quando seriam cumpridas), nenhuma ligação, nenhum convite para um encontro de que ela tanto precisava... “É Patricia, você já teve dias melhores!”. Riu consigo mesma, recostando-se no sofá. Era engraçado como as coisas haviam mudado, olhava pra trás e a menininha com ar inocente e olhos assustados parecia tão distante, distante como se na verdade nunca houvesse existido. Dois anos. Cronologicamente era pouco tempo, mas, em acontecimentos vividos, pareciam vinte anos. Não reclamava de nada, era bom estar sozinha, fora isso que sempre desejara, a liberdade, mesmo que essa lhe custasse o desapego àquelas instituições e valores de que sempre fora adversa, mas dos quais era parte. Parte por parte, preferiu a partida, a tranquilidade de sua solidão, a alforria de poder despir-se da obrigação, o abandono da dissimulação em moça recatada... Agora vivia para si, trabalhava para si, estudava para crescer e fazia o que a agradava, escolhia os seus pares, convivia com quem queria e, entre mentes inquietas, discussões acaloradas, filosofias e apreciações de arte, amava alguns homens e escolhia quem queria ter, quando lhe fosse oportuno.

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