terça-feira, 29 de setembro de 2009

Anotação para um diário hipotético



"A surpresa fora total, ELE não era nada do que ELA esperava, aliás, ela nem sequer esperava..."


segunda-feira, 28 de setembro de 2009

DA ÍRIS DE UM ANJO

Eu deveria estar corrigindo redações, analisando jornais ou escrevendo relatórios, mas meu pensamento está longe... mesmo contra minha vontade a atenção se desvia do papel para onde eu queria estar, mas não posso, para onde o meu coração alcança, mas não os meus olhos.
Inquieta, levanto-me e caminho até a janela, ouço o alarido das salas de aula vizinhas, enquanto o vento que vem brincar em meus cabelos arranca-me um sorriso. Contemplo o céu em sua imensidão azul, azul tão intenso quanto a íris dos olhos de um anjo...

"Se eu soubesse fazer versos
e dominasse a arisca métrica,
comporia por você
minhas mais ternas
canções."

sábado, 19 de setembro de 2009

MULTIFACES

Um gênero multifacetado. Definição breve, objetiva, mas com um caráter tão abrangente que, muitas vezes, deixa-nos, leitores de ensaios e ensaístas amadores, cheios de receio e apreensão.
O termo ensaio, em sua raiz etimológica, já nos fornece indícios de suas peculiaridades. Em meus primeiros contatos com a palavra em si, associei o gênero à própria idéia do “tentar”, fazer seu discurso sobre algo no momento, literalmente ensaiar. Neste ponto, encontra-se um dos grandes atrativos para a leitura de ensaios: a liberdade com a qual o assunto é tratado, deixando aflorar toda a pessoalidade do autor em breves (ou nem tanto) linhas.

Certa vez ouvi, em uma exposição sobre o ensaio, que alguém definiu o gênero como um texto no qual o escritor se mostra. Parte desse pressuposto o meu interesse: conhecer o pensamento daqueles ensaístas, ver como eles discutiam assuntos que permanecem tão atuais, bem como poder contrastar essas opiniões com as que temos hoje acerca do mesmo tema e que, não raramente, apresentam pontos de igualdade.

Ontem estava eu no ônibus voltando para casa, e aproveitei para folhear Os Ensaios de Montaigne, quando o cobrador aproximou-se de mim e perguntou: - “Isso é Filosofia?” Respondi: - ”Um pouco...” Ele então insistiu no diálogo: - “E fala sobre o quê?” Mais uma vez minha resposta saiu um pouco evasiva: “São ensaios, falam sobre a vida, os acontecimentos da vida e como um homem se posiciona diante deles.” Ao meu interlocutor creio que essa resposta deve ter soado muito evasiva, na verdade tive a sensação de que a pergunta do cobrador talvez não tenha recebido a exatidão esperada na resposta... Mas o que eu poderia dizer? Repetir que é um gênero híbrido e multifacetado e que por isso mesmo de difícil definição? Não creio que bastasse.
Parece-me que na vida nenhuma definição é suficiente.

E isso me traz à memória o dia em que duas garotas iniciantes do curso de Letras foram pedir orientação a uma professora sobre como deveriam fazer um ensaio que lhes fora solicitado. Prontamente, receberam uma resposta que não ajudou muito: “Ah! O ensaio é um texto que você faz com o coração... Claro que não foi suficiente, ao contrário, essa (in)definição povoou ainda mais as nossas cabeças com dúvidas que trazemos até hoje na metade do curso.No entanto, não procuro mais respostas a essas dúvidas, mas as tenho como o estímulo para quem busca sentir o ensaio e se atreve a mostrar, nessas poucas linhas, um pouco de si.