quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

FIM DE SEMANA

O fim de semana estava sendo péssimo. Nenhuma boa notícia relacionada ao trabalho, tarefas de estudo acumuladas (e que ela não tinha a menor previsão de quando seriam cumpridas), nenhuma ligação, nenhum convite para um encontro de que ela tanto precisava... “É Patricia, você já teve dias melhores!”. Riu consigo mesma, recostando-se no sofá. Era engraçado como as coisas haviam mudado, olhava pra trás e a menininha com ar inocente e olhos assustados parecia tão distante, distante como se na verdade nunca houvesse existido. Dois anos. Cronologicamente era pouco tempo, mas, em acontecimentos vividos, pareciam vinte anos. Não reclamava de nada, era bom estar sozinha, fora isso que sempre desejara, a liberdade, mesmo que essa lhe custasse o desapego àquelas instituições e valores de que sempre fora adversa, mas dos quais era parte. Parte por parte, preferiu a partida, a tranquilidade de sua solidão, a alforria de poder despir-se da obrigação, o abandono da dissimulação em moça recatada... Agora vivia para si, trabalhava para si, estudava para crescer e fazia o que a agradava, escolhia os seus pares, convivia com quem queria e, entre mentes inquietas, discussões acaloradas, filosofias e apreciações de arte, amava alguns homens e escolhia quem queria ter, quando lhe fosse oportuno.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Das combinações

Brigava com as idéias quando ele chegou. Dia de Natal, "grande porcaria" era o que eu sinceramente pensava daquele circo armado de brilhos e comerciais. Mais largada do que nunca, foi assim que me encontrou, depois aquele abraço suado, o acolhimento, o aconchego a que só me permitia nos braços de poucos. Naquele momento só me desvencilharia daquela página se fosse por um motivo realmente bom, ele o era!
A voz dele era calma, a minha transmitia inquietação, os gestos dele eram calmos, comedidos, enquanto que os meus pareciam querer atingir o inatingível, mais diferenças do que semelhanças.
"Talvez só você mesmo para salvar meu dia."
Sua resposta foi uma gargalhada gostosa, de quem sabia que eu não queria ser salva. A vontade era de me perder, cada vez mais...
- Dias quentes pedem cerveja, mas como você quer tanto escrever, o mais inspirador e mais adequado ao dia de hoje seria um vinho.
- Nem cerveja nem vinho, não com o "velho" em casa, o máximo que posso lhe oferecer é uma coca-cola!
-Bom.. Isso é triste, mas eu aceito.
A conversa era agradável mesmo no abafado daquela tarde, precisava mesmo rir, talvez ele nem tivesse interesse nas minhas loucuras, nos meus escritos, nos meus conflitos nem nas minhas promessas de maior lucidez em 2010, mas se assim o fosse, uma coisa era certa: ele fingia muito bem.
Não era no mestrado, nas minhas leituras ou na minha situação profissional que residia a graça daquilo tudo, preferia (preferíamos) as confidências, o meu descabelamento que era "fascinante" segundo ele, o nosso suposto caso levantado pelos "amigos", o forró que ele dizia não saber mais dançar, as letras
"foda" do Zé Ramalho... Provando por "A + B" entre os meus, os seus (os nossos) risos de descompromisso que coca-cola não combina com discussões sisudas e filosóficas.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Depois


Jogou-se na cama, agarrou o travesseiro, sentia-se ao mesmo tempo culpada e aliviada, não queria tê-lo magoado, mas ao mesmo tempo quis, tanto que esperava ter conseguido... (coisas de orgulho ferido, a vingança é mesmo um prato doce) sorriu, tinha aquele sorriso que oscilava entre o anjo e o demônio, "diaba", era assim que um dos seus a chamava... A noite estava quente, clima abafado, era Natal em Natal, onde estaria a neve?

domingo, 6 de dezembro de 2009

Reativando...



Msn, Orkut, Sonico, Skype, Mural dos Escritores, Twitter, Blogger, Skoob, Formspring...




Mil vezes me recrimino, mas sempre acabo voltando para eles. São os males da modernidade, ferramentas que roubam nosso tempo, mas sem as quais não vivemos.