sábado, 9 de janeiro de 2010

Alegoria das Flores



Sete horas da manhã. Passos apressados, carros apressados, vontades apressadas... a cidade tem pressa, a cidade não pára, "nós podemos até parar às vezes, a vida jamais". É das coisas loucas que se vê por aí... Alheias à pressa do mundo, alheias à pressa dos homens e mulheres que por aquela calçada passam, elas repousam sobre a lona preta, vermelhas, alegres, destoantes de todo aquele ambiente.
Todos passam sem as notar, assim eu também faço. Já me afastando que as reparo, se não é lícito atirar pérolas aos porcos, o seria jogar flores ao lixo? Lembrei-me com pesar que nunca ganhei rosas vermelhas, "rosas são caras, se o que vale é a intenção, até nas de plástico me amarás!". Ledo engano. Aprendi com as primaveras que nada é para sempre, que pra isso tudo nada adiantaria, nem mesmo as flores (reais) que nunca tive.
Logo eu que nunca fui romântica, que sempre pedi "que Deus me livre dos açucaramentos, das pieguices sentimentais e de jurar amor eterno hoje para terminar amanhã, Amém!", naquela hora me vi invadida por uma estranha vontade de tê-las! Pensar em quantas emoções elas poderiam despertar em mãos oportunas, em quantas amadas poderia-se fazer sorrir com o expressivo presente... ou não, quase esqueci-me do contraponto: uma briga talvez, tentativa de reconciliação frustrada, possibilidades, numa moeda sempre há duas faces.
Contextos. Na revolta (legítima) da moça decepcionada ou na tristeza incontida do rapaz enamorado? Simbolicamente, era a verdade dos fatos que não alcancei, as sensações que não tive, tempo perdido que não vivi: eterna verossimilhança da vida, dúvida dos mortais, inspiração dos poetas.


Um comentário:

Anônimo disse...

Ficou muito lindo.
parabéns amiga!
xêro

fabiana