quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Amores Juvenis, Brevidade e Desejos


O ano novo estava trazendo gratas surpresas. Não sabia se era o retorno do passado que depois de tanto tempo agora se fazia flagrante, para além das cartas, anotações de agenda e fotografias. Presente.
Era agradável olhar-se no espelho, fora os complexos e insatisfações comuns às mulheres em geral. Os olhos por trás dos óculos de grau - intelectualidade muitas vezes é aparência - boca fresca, dentes muitos brancos, busto farto ressaltado de vigor na pele morena. Elogios.
É certo que para toda beleza feminina, seja ela rústica ou requintada, sempre háverá um apreciador.
Ficar sozinha não era algo de que tivesse medo, sinceramente isso não a preocupava, mas achava que não poderia viver de promessas e sonhos, esperas e migalhas. Vazio de si.
Entre um e outro que lhe falem ao querer há também os que lhe deleitam o espírito.... Convites.
Não poderia dizer que sabia o que queria, mas sabia o que não queria para si. Esperava no hoje, mas não uma busca eterna, era para além do frescor de sua juventude e do incêndio de seu corpo... Estaria pedindo demais?
Ser vista por seus gostos, seus gestos, suas lembranças, pelo que se é, pelo que se faz. Queria mais que apreciação.
Companhia para uma boa música ou no desfrutar de uma bebida, amor de cama e mesa. Aprendizados.
E que aos teus olhos seja gostosa sim, não uma gostosa qualquer, mas como lhe foi dito: uma gostosa pelo completo.

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