sábado, 2 de janeiro de 2010

Primeiro dia do ano




Primeiro dia do ano:
Meu barraco,
O mesmo de sempre.

(Issa)



"Insensível" - Assim minha mãe sempre me definiu, tanto pelo silêncio quanto pelo afastamento e até mesmo indiferença que aparentemente demonstro ter com datas como Natal, Ano Novo, (meu) aniversário... Nisso tudo, fui contruindo uma imagem de deslocada, antisocial, companhia que muitas vezes não parece agradável. Sabe aquela moça sentada sozinha numa mesa, tomando seu drinque, olhando de um canto a efervescência do baile? Essa sou eu. Não que seja contra demonstrações de mudança, festas, confraternização, mas sou muito fiel ao que se passa em meu espírito, jamais conseguiria fingir simpatia por pessoas de quem não gosto, situações desconfortáveis, bem como jamais defenderia, em discurso ou na escrita, ideais nos quais não acreditasse. Talvez um dia eu receba poucos mas sinceros votos de "muitos anos de vida", talvez um dia tenhamos um Natal visto por sua essência e o Ano Novo não seja uma utopia marcada pela (triste) constatação posterior de que a virada não trouxe milagres, a vida está ali, os problemas estão ali, a miséria humana e exterior permanecem... mas até lá, para mim, datas são apenas datas.


2 comentários:

Jorge Sader Filho disse...

Aline, isto não se trata de insensibilidade, mas de ter olhos para ver a realidade.
Apenas...

Beijos.

Manelchen disse...

Talvez os seres humanos precisem mais de ânimo resignado do que dias do ano.