domingo, 31 de janeiro de 2010

"Quem é esse tal de Matheus?"


Pensava em quantas mil vezes teria que responder àquela pergunta. "Matheus é o meu melhor amigo, pessoa que eu amo de paixão e por quem eu não pouparia esforços para evitar qualquer sofrimento."

Isso é uma declaração de amor, acho que este texto em si já o é, mesmo sem muita noção de começo, de intenções, de nada, mas ainda assim creio que valha pela sinceridade do improviso.

Não me incomodam mais as malícias e os comentários engraçadinhos, na verdade esta crônica é um dos poucos textos nada convencionais que escrevo, mas o faço sem medo de parecer piegas ou emo (xingamento (?) muito em alta nos dias atuais), uma coisa é certa, só escrevo para quem merece, e escrevo como a pessoa merece, raros os casos, privilégio de poucos. O fato é que ele me lembra aquela frase mais que batida do Quintana, quando o poeta define a amizade, e o pior é que mesmo portando essa aparente carapaça sou obrigada a concordar, pois é para o Matheus que corro cada vez que tenho dúvidas, problemas, necessidade de desabafar, ou simplesmente vontade de um dengo, por mais caótica que esteja minha situação, ele é o remédio para me arrancar o pessimismo, seu carinho por si só já me faz acreditar que não estou sozinha no mundo.

Nunca fui chegada a escrever poesia, parece que ela está arraigada ao esforço de soltar-se em lirismo, de quebrantar a própria alma e quem me conhece sabe o quanto sou fechada pra esse lado de demonstrações de afeto, tenho amigos que nunca abracei, pessoas que por mais importantes que sejam nunca ouviram de minha boca o quanto o são. Sinceramente? Algumas atitudes parecem bregas, não combinam com meu estilo, "acho que não sei abraçar", disse certa vez à colega de colégio infantil, ela riu, acho que foi uma das primeiras pessoas a saber o quanto sou boba. Há qualquer coisa que me impede, me bloqueia os atos, diante dos outros, como se fosse necessário sempre ser a forte, para depois furtar-me à dor e ao desespero solitários.

Não creio que seja fácil se aproximar de mim, acho que também é uma questão de sorte, de fazer a tentativa num dia em que eu esteja de alma pacífica, aberta à conversa, e nem sempre sou assim. Na verdade ultimamente nunca tenho sido, sei lá, meu comportamento diante das relações humanas nunca foi dos mais previsíveis, acho que se eu fosse um personagem literário seria do tipo espiralar, a linearidade de gostos e ações nunca foi o meu forte.

Tenho aprendido muita coisa nos últimos anos, digamos que um despertar para mim mesma, que muitas vezes tem sido penoso, me custado noites insones, experiências mal sucedidas, amores que nunca passaram do platonismo, vivências. Data desta mesma época minha aproximação com o Matheus, a primeira lição que ele me deu (e talvez a mais importante) é a de que as aparências realmente enganam, não teria motivos para mentir, mas quando soube sua idade julguei-o mais imaturo, mas qual o quê, o rapazinho até hoje me dá um banho em matéria de enfrentamento da vida.

Sempre tive pressa com tudo, talvez seja como uma menininha ao atravessar a rua, sempre precise de alguém que pegue pelo braço, que diga para ter mais cautela, para não se atirar às vontades nem às tristezas, esperar nas coisas da vida, pois nem sempre temos tudo de imediato, precisamos aguardar o desenrolar da história, ter o conhecimento de toda a causa para poder então agir. Dos nossos vícios às nossas virtudes, nossas pautas de discussão se renovam quase que diariamente, exercícios de ouvir e do aconselhar, a reciprocidade, dos agradecimentos e das declarações mais que escancaradas, viver não é fácil, principalmente quando se é jovem, as desilusões vêm aos montes, podemos até fugir do amor, mas ele não foge de nós... é meu superbaterista, o barato é louco!

Se nossa história tem sido de aprendizados, o teu amor, para mim, é a maior das lições. Dá-lhe Matheus.







"A amizade é um amor que nunca morre."
(Mário Quintana)

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