sábado, 27 de fevereiro de 2010

Escritor/Blog do Magenco


Tenho escrito muito estes dias, uma diversidade de gêneros e assuntos incrível. De vez em quando tenho uma ideia, meio que uma iluminação, fosse desenho animado, traria uma lâmpada brilhando acima de minha cabeça. Anteontem estava jogada nesta mesma cadeira, em frente ao computador, ouvia Love, do John Lennon, distraída em meus pensamentos, a música repetia incessantemente.... Até que me veio um lampejo, uma idéia aparentemente perfeita, absurdamente completa em meus pensamentos, detalhada - sim, minhas idéias surgem assim, geralmente já sei onde vou chegar quando começo a escrever algo -, pensei em entregar-me sem dó à escrita, assim como fez Mário de Andrade com o seu Macunaíma, entre um cigarro e outro o modernista criou a mais autêntica representação da brasilidade: o herói sem caráter - em apenas uma semana! Coisa de louco, uns diriam, coisa de gênio, eu digo.

À parte disso tudo, continuei pensando, achando a idéia realmente boa, boa demais até para ser minha, na verdade, pensei que poderia escrever um livro, um bom livro, por que não? Depois de tanto pensar, pensei então que o melhor a fazer era parar de pensar e partir para o trabalho. Lá estava eu de novo diante da página branca na tela do computador, as primeiras linhas saíram como o pensado, nas próximas já se misturaram outras idéias e julgamentos, nas seguintes a estas eu já estava mais temerosa, as mãos seguiram cautelosas até que fui propelida por minhas próprias ideias, procurei em vão reencontrar a perfeição dos meus pensamentos, mas era cruel como o enredo que de início eu tinha tão bem definido não se rendia à metamorfose, não aceitava a transmutação em linhas e parágrafos. Desisti.

Enganei-me achando que o processo seria mais fácil, um escritor é mesmo feito de suor, lágrimas e sangue e, como disse Saramago, os gênios por esforço são os mais comuns e os mais admiráveis em sua paciência e coragem. Estava cansada demais para continuar a batalha, mais uma vez estendia-me pela madrugada, tenho hábitos noturnos, mas ocorre que uma hora o corpo e principalmente o cérebro chegam ao seu limite, não adianta relutar. Apaguei todo o trecho feito, pensei um pouco, recuperei-o (bendito seja o comando desfazer!) e salvei entre tantos outros rascunhos. Não sabia se aquela era mais uma ideia inútil ou uma boa deixa para ser retomada mais adiante, o fato era que agora poderia dormir sem nenhum remorso.

Por fim, só restava dizer: Aqui jaz um livro, antes mesmo de sê-lo, para sempre - ou até que aquela inspiração retorne à alma da poetisa.





[Aline Patrícia – 13/02/2010]


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