sábado, 27 de março de 2010

Expiações II

É que nesse clima que paira sobre nós, de tudo que falamos, tudo que ouvimos e até do que dissimulamos nada parece ficar, mas nesse nosso nada já subsiste alguma coisa, tanta coisa! Queria só te dizer, meu bem, que a festa ontem estava boa, que as pessoas estavam animadas e as bebidas tentadoras, eu que não estava lá, estava aquém daquela agitação fugaz, permaneci na noite anterior, pensava ainda nas coisas de nós dois. Talvez nem me seja lícito falar em nós dois, mas nem sei de verdade qual que é, e se tento achar uma resposta, um definição plausível, uma dessas verdades de aceitação inquestionável, é ao nada que retorno. Inevitável, inevitável perda de tempo.
Condicionei-me a viver na fuga do enfrentamento de qualquer coisa que alterasse esse aparente equilíbrio, mesmo que o maior de todos os temporais devastasse tudo aqui dentro, sempre sobrevivi. O tanto que quero tua presença, o tanto que já estás feito presente em mim, é o quanto me move a bendizer o mundo por tua existência e maldizer os anjos por este meu desejo. Verto-me em dúvidas e me converto à devassidão - meus passos estão cada vez mais oscilantes.


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