sábado, 13 de março de 2010

"Inside"

Cara, eu não sou de escrever sobre amor, sempre tive uma indiferença velada por certas demonstrações de sentimentos, reflito hoje se isto não seria mais um tipo de despeito, nós humanos somos fracos e mesquinhos ao considerar aquilo que não temos, talvez eu nem saiba o que é amor, mas também agora depois de algumas cervejas o melhor a fazer é evitar "puxar melancolia" assim, é noite de festa, os convidados já começaram a ir embora, mas o velho é anfitrião exemplar, é o mais animado de todos. O contraste com o austero homem com quem travei tantas discussões acaloradas me choca, melhor eu ficar calada, quando peguei a cerveja na mesa ele me lançou um daqueles olhares inquisidores, silenciar, não sei se é o mais justo a se fazer, mas ao menos parece o mais conveniente.

Queria escrever sobre ele, meus dedos parecem travar, sinto o coração apertado, há algo que me impede, não sei até que ponto isso me faria bem ou mal, preciso tomar algumas resoluções mas por enquanto me acovardo, adio as possíveis soluções, atos implicam em consequências. Estou incomodada, e o motivo não é o calçado que aperta meus dedos nem a toalha com estampa do Flamengo que repousa sobre minha cama, são as coisas a resolver, descobri que o meu caos não passa, mas permanece "em suspenso" até o momento propício mais próximo.

Há quem não ache honesto fugir, eu nem ponho isso em questão, fico meio assim, me sentindo uma caçadora de melancolias (que o velho Braga me perdoe a comparação), esse hipocondrísmo sentimental ainda me mata... ou me fortalece ainda mais, num rasgo de otimismo percebo que tenho sobrevivido até hoje. Minhas idéias estão péssimas, queria a certeza de me fazer inteligível, mas nem sei ao certo o que é isso que faço, meu corpo está cansado e meu homem inalcançável, a cerveja acabou e nem construí o céu que queria, muitas eram as coisas que eu queria, que eu quero, mas vejam só, meu bem tinha razão, minha vida também não é uma ficção, caso fosse, certamente não teria um enredo tão incoerente.

A sintaxe da vida é bem mais difícil, quiçá um dia eu consiga alcançar a organização e a linearidade que me fazem falta, mas por enquanto não o consigo, talvez na verdade não queira nada disso, já chutei os sapatos para longe, revisitei antigos pensamentos mas não vou fazer disso um ciclo, por enquanto levo como posso, aproveito "o que tem pra hoje", os amigos acabaram junto com a cerveja, vou para a cama sozinha e na prece silenciosa apego-me à fé que resta e espero sempre por dias melhores. Aquieta-me ver o apagar das luzes e as vozes que se distanciam, a festa finalmente acabou.

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