quarta-feira, 7 de abril de 2010

Fingimento


"O poeta é um fingidor.

Finge tão completamente

Que chega a fingir que é dor

A dor que deveras sente."

(Fernando Pessoa)



Queria escrever um livro e tenho vontade de chorar. Apesar disso, nada faço. Venho me construindo assim, de histórias mal resolvidas, perguntas sem resposta e notas: notas, notas e mais notas. Um bom escritor toma nota de tudo, mas em que armadilha consiste ajuntar um tanto de notas, notas da vida, notas do mundo, notas dos outros, quando você próprio não é notado? Exceto por suas crises, por suas extravagâncias, parece que, em definitivo, felicidade e realização não são pautas em nada produtivas. É bem nessa, meu bem, de me negar teu beijo, de subjugar meus sentidos, que me constróis. Dê me teu desprezo e tua essência para que com elas eu me arme e, no desarme de minh'alma, faça-se o que deve ser feito, faça-se o que é de praxe - o fingimento.


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