domingo, 11 de abril de 2010

Viagem


Começou assim: era bom estar fora de casa, fora dos costumes, fora do tempo, como se aquele momento, naquele lugar, fosse algo suspenso no permanente. Às vezes me sentia como que mortalmente ferida por trair a mim mesma em minha preocupação inabalavelmente egoísta, ali havia musica, bebida, gente e mais gente, enquanto que o meu mundo eu havia deixado do lado de fora, com todas as suas notas, quereres e suicídios diários em nome da estabilidade.

Foi lá que bebi todas as cervejas que pude enquanto tentava esquecer o meu mundo próximo e dançar o maracatu pernambucano - quando pensei que tudo tinha acabado: a cerveja, a fome e a vontade, Lívia me mostrou que ainda havia vodca.

"É que eu também queria fugir dos meus fantasmas imediatos."

Mais fácil seria se eu pelo menos os conhecesse, delimitasse e soubesse montar uma frente de ataque, mas isso jamais poderia - eles moram em mim e eu neles - quanto tempo ainda levaria para entender?

E quando tocou aquela musica, aquela mesma que nem o nome eu sei, engoli meu verbo, calei meu pranto, velei a aurora e o lúdico momento de amor (?) no qual por ti respirei.


Um comentário:

Theresa Russo disse...

respirar um alguém musicalmente é quase uma dor....belas metáforas menina...vc vai longe!!!