segunda-feira, 7 de junho de 2010

Por um instante*

casal adolescente/web


Deslizei os olhos para o céu, era tudo muito azul naquele início de tarde. Voltei-os para baixo e sorri, enquanto você dormia eu podia apreciar suas faces que de tão brancas eram quase angelicais. O movimento na rua era cada vez maior, quase hora de começar a aula e os alunos passavam em grupos, alguns conhecidos sorriam e silenciavam com cumplicidade.

Essa árvore na esquina da rua do colégio sempre foi ponto de encontro, na calçada vermelha, como a gente chama, acontecem as melhores conversas, as maiores bagunças, desabafos, o chão é fértil. Os meninos gostam de colher as mangas quando em época, nem tanto pelo consumo, mas pelo desafio de ter que escalar a imponente planta e capturar os melhores frutos, isso foi você que me explicou, coisas de homem, acho que nunca entenderei!

De tanto conviver talvez fosse mesmo impossível não surgir alguma coisa maior. Em um dia brincamos, no outro você enrolou meus cachinhos, assim mesmo que você foi me conquistando, com poucas coisas, pois já deve ter percebido como de uma dia para o outro passei a ficar mais reservada quando você está presente. As meninas sempre incentivaram que eu fique mais perto, querem sempre fazer brincadeiras que me levem até você, elas me deixam envergonhada, sabem disso mas não param nunca!

Agora te vejo assim, dormindo em meu colo, parecendo tão feliz, só posso agradecer a essas loucuras, por terem conseguido vencer minha dureza, por nos deixarem mais cedo para momentos só nossos, até a hora da aula começar. Eu não vou dizer que te amo como vejo os outros repetindo tanto por aí, mas sabe, você me traz uma coisa boa mesmo sem entender por que sinto minhas mãos suadas quando estamos juntos. Aquela primeira vez que você me beijou sem eu esperar, eu fiquei sem saber o que fazer ou falar, só consegui olhar nos teus olhos por um instante que parecia o último, eterno. Não sou mais uma criança, mas também não sou uma mulher, estou longe disso quando só penso em fazer festa de 15 anos com valsa, cores e vestidos. Crianças assim não falam de amor, mas talvez sintam ou comecem algo assim, sei lá.

Só sei que quando finalmente o relógio marcar 13 horas será hora de te despertar e eu vou fazê-lo do mesmo jeito de sempre, assoprarei levemente sobre teu rosto (gosto de ver como essa brisa agita teus cabelos castanhos), depois te darei um dos meus beijos tímidos e aguardarei teu despertar para poder ver estes olhos que tanto me inspiram, pois sinto que tudo que faço em relação a ti é muito único e é com simpatia que recebo todas as suas perguntas, tentações e expectativas.





*Texto escrito em 26 de maio de 2004

2 comentários:

bia disse...

Fico feliz de saber que EU ajudei nisso rsrsrs :***

Anônimo disse...

e eu por saber que sou o sortudo, quer dizer, fui pelo menos D:
Reclamou q a gente nao lê vc, injusta olha nóis aaqui (L
grandebeijo