sábado, 18 de setembro de 2010

O homem que quero pra mim

(Com toda a utopia que a licença poética pode me permitir)



Não é o mais bonito, o mais simpático nem o mais correto, mas certamente me fará rir, ao mesmo tempo em que rirá da minha falta de jeito na cozinha e da minha incapacidade de esconder a ternura que sinto.

Não mudarei, por ele, minhas cores, meus hábitos ou meu tom. Não se escolhe de quem gostar, mas há a possibilidade de optar pela permanência (ou não). Estou completa como sou e se o quero não é para complemento. É, pois, escolha, afinidade, cisma, loucura (?)... cada um chama como quer.

Nas noites que considero tão frias, sei que ele se enlaçará em meu corpo, trazendo o calor que tanto aprecio. Deitados na rede, de lado, uma coberta por cima e um balanço suave serão suficientes para dar vida longa ao meu fetiche. Conhecerá meu gosto pelo beijo desapressado, pelo sexo na madrugada, ensaio do matinal que só aceito se for bem feito, se for de fazer perder as horas.

Por ele, não precisarei me preocupar em esconder as marcas das preocupações cotidianas ou dos excessos noturnos aos quais me permitirei em sua companhia, me verá bonita de cara limpa, entenderá até as imperfeições como detalhes tão meus... Fará de mim, então, uma perfeita sem-vergonha que se apresenta despida de roupas e inseguranças.

Por ser tão natural minha entrega, não me desgastarei em cobranças, saberá que estou com ele por opção e que as vivências de cama, mesa e banho me são suficientes. Intenso, nosso diálogo será de espírito, limitado que é em meu corpo. O abraço ao infinito virá da alma doce e selvagem que me incita, expressa no silêncio entrecortado por minhas súplicas mais profanas.

Quando partir para a minha leitura, verá que nunca escrevi nem escreverei visando convencê-lo de qualquer coisa. Recuso-me a pleitear qualquer conquista lexical, que as palavras se entendam com as palavras, que permaneçam assim como nossos livros na estante, despojados.

Desejarei que sua permanência em mim se faça plena, independente de tempo ou qualquer outro relativismo. Que meu amor seja, então, convertido em mil: mil vezes olhos, boca, mãos e sexo, num consumo incessante da sensualidade que faz aflorar em mim.


***

8 comentários:

Mr. HaG disse...

Nossa! Sério nossa! Conseguiu descrever uma relação, aparentemente, perfeita... O sonho de todos.

Eu quero também!

jefhcardoso disse...

E por que não?

*Entre o sonho e a realidade eu prefiro a realidade que me permita sonhar. http://jefhcardoso.blogspot.com

Anônimo disse...

Gostei do teu comentário no blog do Fabrício, vim aqui conhecê-la e encontrei coisas tão lindas qto lá.
Bjos, Juliana.

Clau disse...

Coisa mais linda Nine!!!!!!!!!!!!!!!! Perfeito!!!

Anônimo disse...

espero que encontre de verdade e nao se engane com as coisas que parecem mas não são.

Renata de Aragão Lopes disse...

Já escrevi algo semelhante.

"Ao aguardo do amor"
encontra-se publicado,
desde o ano passado,
em minha confeitaria poética.

Busque pelos ingredientes.
O principal?
Amor! : )

Beijo,
Doce de Lira

A. D. disse...

resume tudo o que poderia ser...

Anônimo disse...

vai precisar de sorte