sábado, 27 de novembro de 2010

Um saldo

O mundo acadêmico é competitivo e, por vezes, até injusto, não são só conhecimento e avanços científicos que são gerados e fomentados nos corredores e departamentos das grandes universidades. Como quase tudo na vida, existe um outro lado, que é o cultivo de vaidades, deslealdades e outros atos e gestos não-tão-nobres que nem merecem ser citados.

Quando ingressei no curso de Letras, não tinha a ambição de me tornar pesquisadora ou fazer pós-graduação, a escolha partiu de minha afinidade com a Literatura e do gosto pelo ensino. Por duas vezes pensei em abandonar essa empreitada, fazer alguma outra coisa da minha vida: a primeira, quando me desencantei com a forma dura e artificial dos estudos literários nas disciplinas que tanto idealizei, e a segunda, quando cansei de esperar cair nas graças de algum professor para ter a oportunidade de me engajar em algum projeto ou pesquisa. Foram dias de desânimo dos quais só saí quando tive a chance de participar de um projeto de inclusão social, ministrar aulas para alunos de camadas mais populares, mais do que qualquer coisa, me deixou feliz e me deu a certeza de que a docência é o meu caminho.

Agora estou em clima de final de curso, preparativos para a formatura e saudade cada vez mais explícita. Junto com tudo isso, vem a pergunta: o que vou fazer depois de formada? Acordar um belo dia, já diplomada e ter que dar a cara à tapa, enfrentar todos os problemas do sistema educacional, o descaso e a desvalorização profissional que tanto motivaram as críticas daqueles que nunca concordaram com o curso por mim escolhido é uma possibilidade amedrontadora.

Com a estabilidade alcançada nos últimos anos de curso, me inscrever e tentar ingressar no mestrado foi uma opção irresistível. Confesso que as viagens, os elogios e as publicações alimentaram em mim um certo orgulho, tanto que sempre estive ciente de que, caso não passasse, a maior decepção seria de mim comigo mesma. De cara, uma concorrência que assustaria qualquer um, além de muito sono perdido, para conciliar as leituras das disciplinas que ainda me faltam com as de Linguística indicadas para o exame.

Quando vi o resultado, senti-me injustiçada, ainda me sinto, mas ao mesmo tempo me alegrei pela aprovação de amigos queridos que realmente merecem a carreira de sucesso que está apenas no início. Por mim, chorei, e não foi pouco, lembrar das outras ocasiões em que entrei confiante em seleções e não fui aprovada foi algo inevitável, as coisas nunca foram fáceis pra mim nesse meio. Precisei de um colo de mãe e de um afago dos amigos para finalmente compreender o quão inútil é me martirizar por isso e até me arrependi de ter me submetido a esse crivo tão precocemente.

Hoje de manhã cedo preparei um café, abri as janelas e portas que acentuavam o clima de tristeza no meu quarto e guardei os livros comprados com tanto esforço. "Para o ano que vem" - pensei, ganhei alguns meses para me dedicar a mim mesma, escrever meus textos e pensar, pensar bastante. Acho que finalmente aprendi e não vou mais traçar planos nem resoluções definitivas para nada, afinal, eu só tenho 21 anos. =)

Um comentário:

Benedito João disse...

A vida é assim...

Mas não há o que se preocupar, sua vida ta começando agora!!!!

21... adorava essa epoca q esta taao distante hj... aproveite e força pra próxima!!!!