domingo, 7 de novembro de 2010

Veja bem, meu bem...


Eu não me importo de não ser a mulher mais linda dessa cidade, assim como nunca tentei fazer-me resposta sendo a Anaïs Nin que todo Henry Miller procura, pois não quero, nunca quis fazer linhas ou versos que repetissem uma história já contada. Eu quero fazer algo novo, mesmo sabendo que a vida que nos (per)segue é uma sucessão de repetições nas quais aprender ou não é conquista individual. Só que agora não consigo dormir, tenho uma certa culpa por ter deixado você sozinho, além de não me conformar com o silêncio repentino que me acometeu, quando sempre tive certeza de que palavras não me faltariam. Mas elas fugiram, de tão simples revelaram-se difíceis demais, as duas ou três frases morreram em meus lábios, indomáveis, recusaram-se a sair, mesmo sendo tão claro
que eu ficaria, que acredito
e que se me chamasse, eu iria...
mesmo sem saber pra onde.

***

4 comentários:

marcenga disse...

as palavras quase sempre brotam, nascem espontâneas, ainda mais em quem pertence as letras, quem é por letras formado. mas quase sempre também nossas palavras esbarram em algo quando mais precisamos delas. quem nunca emodeceu quando a hora pedia que todas as palavras fossem ditas de uma só vez e sem pausa? quase sempre mais uma vez as pausas são bem vindas, como diz Vanessa da Mata:

"Escolha os versos para ser meu bem
E não ser meu mal"

a pausa possibilita a organização do pensamento, o cozimento de palavras cruas para que o outro possa digerir.além de tudo isso, falar também é terapeutico: se abrir é quase sempre o melhor remédio para muitas dores.

Benedito João disse...

Num mundo do "Onde nada se cria, tudo se copia" o simples desejo de fazer algo novo, já é algo novo...

Que a beleza fique sempre para o fútil e que as palavras não faltem a quem pensa, ate por que tesão é a inteligencia!

Grite! não deixe essas palavras trancadas....

Belo texto como sempre! To começando a gostar dessa coisa de "universo feminino" XDD

jefhcardoso disse...

Oi, Aline! Temos mesmo que sermos quem somos. Do contrário não somos nada. E os momentos são como os amores, quando passam não mais retornam, se renovam. Abraço!

“Para o legítimo sonhador não há sonho frustrado, mas sim sonho em curso” (Jefhcardoso)

http://jefhcardoso.blogspot.com

Ninna disse...

Texto legal, temos que sempre ser nós mesmos. Passei por aqui e acabei lendo seu post, estou te seguindo :)

bjoo