domingo, 16 de janeiro de 2011

Fogo, consequências e alguma adoração

“En el fondo, todas las mujeres son putas y quieren que se las trate como putas…
 ¡Mezclado con un poco de adoración!”  (Anaïs Nin - Henry y June)



Deixei de lado as conversas e algumas redes sociais nas quais me entretia deitada na cama, cansada, mas insone. Acontece muito comigo, o corpo pede descanso, mas a cabeça continua inquieta, as idéias pululam. Foi pensando nas possibilidades de não-sei-o-quê que as horas multiplicaram-se, nem vi o sol nascer. Com o calor matinal, adormeci.

...

Chamou uma, duas, três vezes, abri os olhos e ele estava lá, não posso negar que gostei de vê-lo, mesmo depois de tanto tempo, ainda não me acostumei com seus hábitos, sumia repentinamente e da mesma forma retornava aos meus olhos, à minha boca...

-Bom dia.
-Bom dia...

Conferi o relógio, dez da manhã, como gostaria de ter dormido mais!

Na verdade, eu sempre o recebia meio na defensiva, enciumava-me e pensava em perguntar por onde e com quem andou no tempo em que estivera ausente. "Preciso ser mais dura, isso sim!" - prescrevia-me mil mudanças de comportamento, mas nunca conseguia tal façanha. Bastava que a inspiração voltasse para que meu espírito se enchesse de alegria e de uma vontade inconfessa de dizer-lhe apenas que "não há orgulho no mundo que vença a necessidade que sinto de seu toque, ela é tão grande que, em certas noites, converte-se em uma dor física vinda não sei de onde."

Tanto me disseram para não brincar com fogo! Não adiantou, agora é preciso aguentar: o corpo queimando e o coração ardendo são apenas consequências.

-Como você está?
-Com sono...

Afundei a cara no travesseiro, tinha consciência do estado de desordem de meus cabelos, nem eu me animava com minha própria aparência pela manhã. Ele esboçou um sorriso, mas falou sério:

-Então eu vou ter que acordar você.

Respondi com um não prolongado e puxei o lençol, quase escondendo o rosto. Teimoso como só ele, puxou de volta, descobriu-me e aproximou-se.

-Pensei que não queria mais saber de mim...
-Deixa disso.
-Mas é, estava tão distante e...
-Agora estou aqui.

Beijou-me os ombros e o pescoço, sendo terno e ao mesmo tempo quente, ele fazia com que todas as outras coisas do mundo se tornassem secundárias, mas eu sabia que não deveria acumular expectativas para além do momento de entrega. Encarava-me antes e depois de aceitar a boca que eu lhe oferecia, como numa transição, minha ansiedade dava lugar ao desejo crescente e eu deixava sempre que me lesse do início ao fim. Deslizou as mãos em meu busto, por cima do short doll verde, sentiu como me arrepiava os mamilos, meu tesão era a resposta que buscava. Encontrou, satisfeito.

-Deixa-me ver esses seios lindos...
-Não, você prefere os menores, eu li!
-Cala a boca!

Era gostoso dever-lhe alguma obediência, despia-me habilmente e eu sabia que só pensava em como encaixar-se em meu corpo da melhor forma. Afastando-me as pernas, mergulhava em meu sexo e recolhia meu prazer na ponta da língua - assim ele me dava sua adoração.



***

4 comentários:

Jorge Sader Filho disse...

Ah! Paixões... São tão intensas que fazem a gente escrever, mesmo não querendo.
Afinal, o teclado transmite e recebe melhor do que qualquer rádio ou analista... Excelente, mocinha!

Beijos,
Jorge

A. D. disse...

eh a primeira vez q as coisas esquentam por aqui, eh paixão,
se rendeu mesmo???

Rob Novak disse...

Uma felicidade inscontante, que parece não querer saber mais da gente, é melhor que nenhuma felicidade. Aproveite. Eu gostaria de ter uma parecida com essa, só pra carregar na lembrança as horas eternas de cada visita.

E o ano dos seus 22 anos será muito bom. Pelo menos sonhos não faltarão, e isso, ter sonhos, pode parecer estranho, mas, aos 30 chega até a ser complicado. Pelo menos pra mim.

Bjo e uma ótima semana!

Renato César disse...

Nossa!
Muito boa essa crônica (se é que é uma) eu tenho problemas com gênero... texto muito bom e caliente...