terça-feira, 5 de junho de 2012

Prisão



Em silêncio, eu buscava discernimento sobre alguns assuntos sentimentais, plano amoroso acidentado. Ele desconfiava do que não havia passado, mas evitava a pergunta e, consequentemente, a resposta que tantas vezes me serviu de justificativa para recusar namorá-lo. Sempre era tranquilo o nosso café da manhã - mesmos gestos, perguntas e alimentos numa repetição quase que ritualística, mas hoje estava nublado. Depois de recolher a louça, eu sempre sentava em seu colo para alguma carícia matinal, abraço hospitaleiro e mãos de desejo às 7 horas da manhã. A presença constante do ontem me perturbava, coisas vividas e vistas, reencontro, era preciso forjar esquecimento.

Da janela alta da cozinha, o céu azul me desviava o sentido, não hesitei quando senti lábios quentes me tocarem o pescoço, mas meus olhos ainda corriam em direção ao que ele não podia ver. Nem saber.